segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Minha experiencia do parto- parte 4






A sala que eu ficaria para o parto era de número seis. Era pequena com ma cama central, que com certeza era a que eu estaria, vários aparelhos envolta da cama, que eu imaginei que seria para controlar minha condição e do Leonardo, uma pequena cama do lado direito para o baby caso a criança nascesse com algum problema que precisasse ser tratado imediatamente, uma cadeira do lado da cama para o acompanhante, que no meu caso era meu marido Giose ( apelido Jolly) e uma segunda sala com uma banheira para o parto na água e um banheiro. A sala era bem aconchegante e a luz que iluminava a sala era ambiente dando um ar de descanso.

Pena que não tive descanso desde a hora que entrei naquela sala. Primeira atitude das enfermeiras (midwives) foram me explicar como tudo aconteceria e naquele momento elas inseriram na minha mão direita uma agulha para correr um liquido que estava em um pote pendurado em um ferro. O liquido era mais hormônios que ativariam mais as contrações para chegar ao ponto certo que o baby precisava para sair. Elas avisaram que as contrações aumentariam bastante comparadas com as que eu já estava tendo, mas não imaginei que seria tão rápido e tão forte.

Logo em seguida que aplicaram o hormônio, me avisaram que estariam estourando minha bolsa d’agua. Elas me tranqüilizaram dizendo que não era complicado, era sem dor e que eu apenas iria sentir uns movimentos da mão dela dentro e uma água morninha sair de dentro de mim. Também disseram que a quantidade de água era muita para que eu não ficasse preocupada ou assustada.

Quando a água saiu, eu realmente senti exatamente como elas disseram muita água e morna. Fiquei pensando se aquele procedimento de estourar minha bolsa prejudicaria o baby e elas afirmaram que não. Que o baby podia ficar sem a água por um tempo considerável, muito mais do que o tempo que eu estaria naquela sala.

A cama que eu estava ficou totalmente imunda de água e elas me limparam e trocaram os papeis que estavam cobrindo a cama. Eu fui ao banheiro e troquei minhas roupas intimas que estavam completamente molhadas. Jolly foi comigo ao banheiro e lavou minhas roupas intimas para levar para casa lavada.

Elas pediram para que eu caminhasse pelo quarto para ajudar no efeito do hormônio que elas tinham aplicado em mim, pois o exercício fazia com que as contrações viessem mais rápidas. A primeira contração que veio me pegou de surpresa e eu não sabia em que posição ficar mais controlei a dor com a respiração longa que já estava fazendo desde a sexta-feira quando entrei no hospital e comecei a ter as primeiras contrações depois do gel que foi aplicado em mim.

A partir da segunda contração, eu já estava sentada em uma bola azul grande que é utilizada nos exercícios de Yoga e Pilates, encostada na cama que já estava curvada a metade para eu apoiar os braços e Jolly posicionado atrás de mim massageando minhas costas. A contração era realmente mais forte e precisei respirar mais fortemente para controlar a dor. Tudo começou por volta das duas e meia da tarde e as contrações começaram a vir cada vez mais forte e com intervalo de tempo menor. Cheguei a ter duas contrações seguidas sem intervalos de nenhum tempo e achei que não fosse agüentar, mas conseguia sempre.
As enfermeiras estavam surpresas com minha resistência as contrações e também porque após cada contração eu falava alguma coisa engraçada e ria. Normalmente as mulheres na minha situação estariam chorando ou gritando de dor. Elas sempre diziam, ‘well done!  You are doing very well Tatiana.’

Mesmo as contrações aumentando e as dores também eu consegui agüentar ate às sete horas da noite apenas utilizando a respiração. Como eu estava sem comer desde à hora do almoço, meu corpo estava enfraquecendo e já não agüentava muito as dores das contrações. Então, às sete horas eu pedi o gás natural que tinha a função de controlar as dores cada vez que eu respirasse.  

O gás não me ajudou muito e eu estava ao ponto de desmaiar cada vez que uma contração vinha foi quando eu pedi a epidural (Analgesia epidural é uma forma de controle da dor baseado na administração de substâncias por via epidural (peridural), mais frequentemente anestésicos locais em baixas concentrações e analgésicos da classe dos opióides.)

Depois de ser aplicada a epidural eu consegui comer e dormir. Quando acordei já não sentia minhas pernas e nem as contrações. Elas sabiam que eu estava com as contrações através de um aparelho que ficava ao lado da cama.

De oito da noite quando tomei a epidural ate as duas da manha eu não senti nenhuma dor. Exatamente as duas da manha, elas me disseram que meu organismo estava pronto para o parto e que era o momento de trazer o Leonardo ao mundo.

 Então começamos o processo de empurrar. A primeira posição que tentamos foi sentada na cama com as pernas dobradas. Eu tinha que puxar um bom ar prender a respiração abaixar o queixo e empurrar. Não era nada fácil, pois eu precisava empurrar com o ar preso por um bom tempo, mas eu não conseguia muito por estar muito fraca. As enfermeiras me explicaram que se eu levasse o ar ate a bochecha eu não conseguiria segurar o ar por muito tempo. Mas se eu parasse o ar no pescoço, seria muito mais fácil.

Para entender na pratica o que ela estava dizendo era muito difícil. O ar não parava no pescoço e minhas bochechas ficavam enormes. Cada vez que eu empurrava, eu sentia a cabeça do Leonardo saindo, mais quando eu soltava a respiração, ele entrava novamente. Era uma sensação muito estranha saber que a saída do meu filho da minha barriga para meus braços dependia daquela respiração correta e de minha forҫa para empurrar.
 
A primeira posição não deu certo. Então a enfermeira sugeriu uma outra posição que era o corpo virado para o lado e as pernas abertas. Esta posição foi pior do que a anterior e eu fiquei mais cansada ainda.

A midwife (enfermeira) responsável pelo meu parto naquela madrugada foi chamar uma supervisora para ajudá-la. Quando a supervisora chegou,  ela se dirigiu a mim e disse, ‘ vamos mudar para a posição sentada e você vai por suas pernas no nosso corpo na lateral e cada vez que as contrações vierem nós vamos empurrar sua perna contra o seu corpo junto com você. E quero que você empurre com raiva para tirar logo seu filho.’
As palavras da enfermeira supervisora me deram uma nova energia e coragem.

Alem da respiração que era difícil, eu não sentia muito minhas pernas que estavam anestesiadas por causa da epidural. Quando eu empurrava não conseguia sentir o quanto forte eu estava empurrando.

Tentamos tudo de novo na nova posição e disseram que eu estava empurrando melhor, apesar de não ser ainda suficiente.

Eu já estava quase duas horas no processo de empurrar. Eram quase 3.30 da manha quando s dores das contrações começaram a voltar. Quando contei a elas a enfermeira supervisora disse, ‘ você quer tomar mais uma dose da epidural ou quer aproveitar a dor para ficar com mais raiva e empurrar seu filho? Eu escolhi ficar com a dor porque aquela dor nem se comparava com as dores das contrações que eu tinha tido naquele dia ate eu ter a epidural. E alem disso, eu queria muito ver a cara do meu filho.

Começamos tudo de novo.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mimha experiencia do parto- parte 3



Eram seis quartos na sala onde eu estava. Três de um lado e três do outro. Alem de mim, tinha uma mulher no primeiro quarto do lado direito, uma do meu lado que chorava e gritava muito e pedia Cesariana e uma no quarto de frente do meu que gemia e vomitava muito quando as contrações dela vinham.

Tentei me concentrar nas minhas contrações e na respiração longa que tinha que fazer cada vez que as contrações vinham para não ficar assustada com a situação das duas mulheres que pareciam que estavam sofrendo muito. A mulher que estava no primeiro quarto não gritava e nem chorava e parecia que estava fazendo exercícios de yoga. Ela estava sempre encima da cama fazendo alguma coisa quando eu ia ao banheiro, por isso deduzi que poderia ser exercícios de yoga. Decidi ter ela como exemplo de controle, principalmente quando as piores contrações chegassem. Manter a calma e controle era um meio de receber as contrações e passar por elas com sucesso. Era o que tinha aprendido nas aulas de pré – natal.

Passei toda a noite de sexta agarrada à mão de Jolly sentindo as contrações que vinham de tempo em tempo. Cada vez que ela vinha, eu inspirava o ar e expirava-o longamente. Mesmo quando eu estava dormindo eu acordava, apertava a mão do Jolly e respirava longamente para controlar a dor.

No dia seguinte os procedimentos para acompanhar a mim e ao Leonardo continuaram. E no final do dia fui comunicada que minha dilatação estava indo muito bem e que no domingo pela manha, dia seguinte, seria transferida para a sala do parto.

Apesar da noticia boa que eu estaria tendo o Leonardo já no domingo, senti um frio na barriga. Passei todo o sábado sentindo e controlando as contrações e pensando como seria no dia seguinte.

Eu e Jolly fizemos gongyo e daimoku baixinho no quarto todos os dias. E Jolly foi maravilhoso comigo me apoiando em tudo. Como não consigo engolir comprimido, ele pediu a enfermeira duas colheres para esmagar os comprimidos para eu tomar. Eu me senti muito protegida tendo ele do meu lado. Também quando eu precisava ir ao banheiro ele ia comigo para ser um apoio quando minhas contrações viam no mesmo momento que estava fazendo minhas necessidades. Rimos juntos desses momentos de privacidades que nunca compartilhamos como estar junto no banheiro fazendo as necessidades.

A noite de sábado foi mais intensa que sexta porque as contrações estavam vindo com intervalos de tempo menores e gradativamente estavam ficando mais fortes.

No domingo de manha fomos informados que mudaríamos para o quarto do parto somente na parte da tarde ao invés de pela manha. O motivo e que o quarto ainda estava ocupado. Pensei na pessoa que estava no quarto e desejei que tudo estivesse correndo bem com a pessoa que estivesse tendo o baby.

A manha de domingo não passava nunca e cada minuto eu pensava que em breve Leonardo estaria com agente. Como seria o rostinho do Leonardo? Jolly e eu nos perguntávamos sempre. Será que eu conseguiria empurrar o Leonardo? Eu me perguntava constantemente.

Assim que nosso almoço chegou por volta da uma, as novas enfermeiras (midwife) da sala do parto veio nos comunicar que já podíamos ir para o quarto que eu teria o Leonardo. Como estávamos almoçando, elas voltariam em 15 minutos para nos ajudar com as malas.

Engoli a comida com muita dificuldade. Sentia-me nervosa, ansiosa e ate um pouco com medo. No meu coração eu só pensava que meu filho estava prestes a vir ao mundo.

Elas voltaram no tempo determinado e fomos caminhando pelo corredor principal e passamos pela porta do departamento de partos. Eu ouvia muitas mulheres chorando e gritando. Fiquei preocupada mas dentro de mim havia uma certeza de que meu parto seria exatamente como eu havia determinado, sem sofrimento e especial.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Minha experiencia do parto - parte 2







 Como estava dizendo, eu sempre dormia um pouco enquanto estava ouvindo o coração do Leonardo por 20 a 30 minutos. Eu não precisava controlar, uma maquina que fazia. Eu podia ler um livro, escutar musica ou falar ao telefone, como muitas mulheres faziam. Mas eu gostava mais de ficar ouvindo o coração do Leonardo bater, fazer daimoku (oração budista) ao mesmo tempo e às vezes quando eu não tinha dormido bem na noite anterior, dormia um pouco. Uma vez, a enfermeira deixou-me dormindo, mesmo depois do exame já ter terminado, pois ficou com pena de me acordar.

Este acompanhamento era necessário comigo por causa da diabete e também porque a diabete afetou um pouco o meu fígado. Ou seja, de um jeito ou de outro, eu teria um parto induzido.

O que seria um parto induzido? Um parto induzido, como o próprio nome diz, seria um parto onde as enfermeiras e médicos precederiam de uma forma que iriam antecipar, forçar as contrações que uma mulher grávida teria normalmente ate o dia de ter o baby. Uma gravidez normal, a mulher teria as contrações, a bolsa arrebentada no tempo natural do organismo dela e do baby. Isto poderia acontecer gradativamente dia após dia e sendo natural, não maltrataria tanto a mulher. No caso de indução, o processo acontece de uma hora para outra, de um dia para outro um atrás do outro e as dores são maiores do que se viessem naturalmente.

Confesso que não gostei muito de saber que seria induzida. Cheguei a pensar que seria melhor então que fizessem a cesariana, mas aqui na Inglaterra, Cesariana e só no ultimo caso, se realmente for necessário. Eles tentam ao maximo fazer com que o parto, induzido ou natural, termine em um parto normal.  

No dia que a medica veio me contar que eu teria um parto induzido eu não consegui controlar minhas emoções e chorei na frente delas. Disse que não queria aquilo porque se eu não conseguisse empurrar o baby e sair natural, que elas as médicas tentariam tirar o meu baby com aparelhos e eu não gostava da idéia de saber que meu baby poderia ser puxado com um aparelho que mais parecia um desentupidor de pia fazendo pressão na cabeça dele para ser puxado ou um aparelho de ferro caso o primeiro não funcionasse. Não conseguia imaginar um parto bom e seguro naquelas condições.

As medicas e enfermeiras tentaram me acalmar e explicaram todo o processo da indução e também reafirmaram que era perigoso para o baby e para eu continuar a gravidez ate as 40 semanas ( 9 meses) ou ate as 42 semanas ( 9 meses e duas semanas) caso o baby não saísse no tempo certo. O risco de o baby crescer de mais e ter problemas mais sérios por causa do açúcar, era muito provável e eles não queriam arriscar a minha vida e nem a do baby.

Fui para casa ainda com os olhos cheio de lagrimas e liguei para o Jolly para explicar tudo. Logo depois decidi fazer daimoku para que eu tivesse o parto mais seguro, tranqüilo para mim e o Leonardo. Que fosse como uma obra de arte. Que nem eu e nem o Leonardo sofreríamos com o parto.
Eu na verdade não tinha noção nenhuma de como seria tudo. Nem de como seria as dores das contrações, apesar de varias amigas e outras grávidas no curso de pré- natal terem compartilhado experiências de outras pessoas. Não conseguia imaginar ou sentir como seria. No fundo isto foi um ponto positivo para mim, não foquei nos pontos negativos que colocavam sobre as dores, contrações etc... Apenas pensava que tinha que orar para ser capaz de fazer tudo e ajudar o Leonardo a vir neste mundo de forma segura.

Em uma das consultas com as medicas, me foi passado à data do dia 18 para eu me apresentar no hospital para iniciar a indução. Nós podíamos escolher o dia 16 que seria o aniversario do Jolly, mas ele preferiu que Leonardo tivesse outra data para que no futuro ele não se sentisse culpado quando quisesse passar o aniversario dele com namorada, viajando ou com amigos.

Duas semanas antes do dia 18, marquei na minha casa daimoku tosso, de uma a hora e meia a duas horas, e convidei os membros da minha comunidade ( Grupo em Portugal) e alguns amigos de outras organizações para recitar comigo. Todos os dias viam alguém. Às vezes a sala estava cheia e às vezes via uma pessoa, mas todos vieram me apoiar. Na minha oração, eu orava não somente para o parto e para meus objetivos pessoais como também para o kosen rufu de UK e mundo, para a vitória, saúde, prosperidade e longevidade dos membros, para meu juramento ao mestre e para cumprir minha missão como discípula e boddhisatva da terra.

Chegou então o grande dia! Dia 18 de Janeiro de 2013. Saímos de casa as 11:15 e o caro estava nos esperando na frente prédio que moramos. Jolly estava carregando todas as malas, uma com as roupas do Leonardo, uma com as minhas, a mochila com as coisas dele e o car seat ( Uma cadeira que e obrigatória quando anda de carro com criança de 0 a 8 anos eu acho). Estava nevando e Jolly teve que por as malas no carro primeiro e depois voltar para me ajudar a descer as escadas de cinco degraus do prédio.

Sentia meu coração batendo acelerado e estava nervosa. Como seria tudo? Apenas me perguntava constantemente. Estava muito feliz e me sentia mais tranqüila quando olhava para o Jolly e via o quanto ele estava presente comigo em toda a gravidez e naquele momento. Todas as vezes que olhava para ele pensava o quanto tinha tido boa sorte através da pratica e da luta pelo kosen rufu de ter encontrado uma pessoa maravilhosa como ele para ser meu companheiro e pai do meu filho.

A caminho do hospital fui olhando pela janela as casas cobertas no telhado de neve e achei engraçado Leonardo vir ao mundo em um país onde o frio e predominante. Uma carioca casada com um italiano de Turim, cidade que fica no norte da Itália e que tinha montanhas cobertas de neve no inverno, e que estava nascendo na Inglaterra. Que missão teria este menino? Pensei...

Chegamos ao hospital uns quinze minutos antes de meio dia, horário marcado para eu me apresentar. A midwife ( enfermeira de grávidas) nos levou para um quarto particular ate o quarto que seria para mim fosse desocupado. Nossa boa sorte tinha começado naquele momento porque ate desocupar o quarto que eu ficaria, que seria junto com outras mulheres, nos ficamos em um quarto privado que seria pago toda a tarde ate sermos trocado.
Fomos almoçar na cantina do hospital e quando voltamos a midwife ( enfermeira) veio me dar uma meia especial para vestir que protegeria minhas pernas e me examinou para saber com quanto dilatada eu estava. Eu precisava ter 10 de dilatação para que o Leonardo nascesse de parto normal. Eu estava com 4 de dilatação e depois de ser posto o gel composto de hormônios, elas verificariam novamente quanto eu teria dilatado.

Não senti nada quando ela colocou o gel apenas senti algo gelado dentro de mim. O gel trabalharia por 6 horas. Se naquelas seis horas meu organismo não reagisse bem e não dilatasse nada e nem começasse as contrações iniciais, seria posto mais uma dose de gel seis horas depois e mais uma seis horas depois da segunda. Com o gel seriam três tentativas. Felizmente o primeiro gel foi suficiente para mim porque meu organismo reagiu bem e começaram as contrações. No final do dia fomos transferidos para o local que tinham mais cinco quartos com outras mulheres que seriam induzidas também.

O quarto era dividido com cortinas amarelo claro e tinha uma cama, alguns aparelhos médicos e uma cadeira acolchoada para o Jolly. Minhas contrações começaram bem fraquinhas e pareciam cólicas menstruais. Elas viam e iam embora de tempo a tempo. Como gel tinha funcionado bem comigo, as contrações aumentariam daquele ponto ate o dia de ter o Leonardo, que poderia ser qualquer dia, qualquer hora.