A sala que
eu ficaria para o parto era de número seis. Era pequena com ma cama central,
que com certeza era a que eu estaria, vários aparelhos envolta da cama, que eu
imaginei que seria para controlar minha condição e do Leonardo, uma pequena
cama do lado direito para o baby caso a criança nascesse com algum problema que
precisasse ser tratado imediatamente, uma cadeira do lado da cama para o
acompanhante, que no meu caso era meu marido Giose ( apelido Jolly) e uma segunda
sala com uma banheira para o parto na água e um banheiro. A sala era bem
aconchegante e a luz que iluminava a sala era ambiente dando um ar de descanso.
Pena que
não tive descanso desde a hora que entrei naquela sala. Primeira atitude das
enfermeiras (midwives) foram me explicar como tudo aconteceria e naquele
momento elas inseriram na minha mão direita uma agulha para correr um liquido
que estava em um pote pendurado em um ferro. O liquido era mais hormônios que
ativariam mais as contrações para chegar ao ponto certo que o baby precisava
para sair. Elas avisaram que as contrações aumentariam bastante comparadas com
as que eu já estava tendo, mas não imaginei que seria tão rápido e tão forte.
Logo em
seguida que aplicaram o hormônio, me avisaram que estariam estourando minha
bolsa d’agua. Elas me tranqüilizaram dizendo que não era complicado, era sem
dor e que eu apenas iria sentir uns movimentos da mão dela dentro e uma água
morninha sair de dentro de mim. Também disseram que a quantidade de água era
muita para que eu não ficasse preocupada ou assustada.
Quando a
água saiu, eu realmente senti exatamente como elas disseram muita água e morna.
Fiquei pensando se aquele procedimento de estourar minha bolsa prejudicaria o
baby e elas afirmaram que não. Que o baby podia ficar sem a água por um tempo
considerável, muito mais do que o tempo que eu estaria naquela sala.
A cama que
eu estava ficou totalmente imunda de água e elas me limparam e trocaram os
papeis que estavam cobrindo a cama. Eu fui ao banheiro e troquei minhas roupas
intimas que estavam completamente molhadas. Jolly foi comigo ao banheiro e
lavou minhas roupas intimas para levar para casa lavada.
Elas
pediram para que eu caminhasse pelo quarto para ajudar no efeito do hormônio
que elas tinham aplicado em mim, pois o exercício fazia com que as contrações
viessem mais rápidas. A primeira contração que veio me pegou de surpresa e eu
não sabia em que posição ficar mais controlei a dor com a respiração longa que
já estava fazendo desde a sexta-feira quando entrei no hospital e comecei a ter
as primeiras contrações depois do gel que foi aplicado em mim.
A partir da
segunda contração, eu já estava sentada em uma bola azul grande que é utilizada
nos exercícios de Yoga e Pilates, encostada na cama que já estava curvada a
metade para eu apoiar os braços e Jolly posicionado atrás de mim massageando
minhas costas. A contração era realmente mais forte e precisei respirar mais
fortemente para controlar a dor. Tudo começou por volta das duas e meia da
tarde e as contrações começaram a vir cada vez mais forte e com intervalo de
tempo menor. Cheguei a ter duas contrações seguidas sem intervalos de nenhum
tempo e achei que não fosse agüentar, mas conseguia sempre.
As
enfermeiras estavam surpresas com minha resistência as contrações e também
porque após cada contração eu falava alguma coisa engraçada e ria. Normalmente
as mulheres na minha situação estariam chorando ou gritando de dor. Elas
sempre diziam, ‘well done! You are doing
very well Tatiana.’
Mesmo as contrações
aumentando e as dores também eu consegui agüentar ate às sete horas da noite
apenas utilizando a respiração. Como eu estava sem comer desde à hora do
almoço, meu corpo estava enfraquecendo e já não agüentava muito as dores das
contrações. Então, às sete horas eu pedi o gás natural que tinha a função de controlar
as dores cada vez que eu respirasse.
O gás não
me ajudou muito e eu estava ao ponto de desmaiar cada vez que uma contração vinha
foi quando eu pedi a epidural (Analgesia epidural é uma forma de
controle da dor baseado na administração de substâncias por via epidural (peridural), mais frequentemente anestésicos
locais em baixas
concentrações e analgésicos da classe dos opióides.)
Depois de
ser aplicada a epidural eu consegui comer e dormir. Quando acordei já não
sentia minhas pernas e nem as contrações. Elas sabiam que eu estava com as
contrações através de um aparelho que ficava ao lado da cama.
De oito da
noite quando tomei a epidural ate as duas da manha eu não senti nenhuma dor.
Exatamente as duas da manha, elas me disseram que meu organismo estava pronto
para o parto e que era o momento de trazer o Leonardo ao mundo.
Então começamos o processo de empurrar. A
primeira posição que tentamos foi sentada na cama com as pernas dobradas. Eu
tinha que puxar um bom ar prender a respiração abaixar o queixo e empurrar. Não
era nada fácil, pois eu precisava empurrar com o ar preso por um bom tempo, mas
eu não conseguia muito por estar muito fraca. As enfermeiras me explicaram que
se eu levasse o ar ate a bochecha eu não conseguiria segurar o ar por muito
tempo. Mas se eu parasse o ar no pescoço, seria muito mais fácil.
Para
entender na pratica o que ela estava dizendo era muito difícil. O ar não parava
no pescoço e minhas bochechas ficavam enormes. Cada vez que eu empurrava, eu
sentia a cabeça do Leonardo saindo, mais quando eu soltava a respiração, ele
entrava novamente. Era uma sensação muito estranha saber que a saída do meu
filho da minha barriga para meus braços dependia daquela respiração correta e
de minha forҫa para empurrar.
A primeira
posição não deu certo. Então a enfermeira sugeriu uma outra posição que era o
corpo virado para o lado e as pernas abertas. Esta posição foi pior do que a
anterior e eu fiquei mais cansada ainda.
A midwife
(enfermeira) responsável pelo meu parto naquela madrugada foi chamar uma
supervisora para ajudá-la. Quando a supervisora chegou, ela se dirigiu a mim e disse, ‘ vamos mudar
para a posição sentada e você vai por suas pernas no nosso corpo na lateral e
cada vez que as contrações vierem nós vamos empurrar sua perna contra o seu
corpo junto com você. E quero que você empurre com raiva para tirar logo seu
filho.’
As palavras
da enfermeira supervisora me deram uma nova energia e coragem.
Alem da
respiração que era difícil, eu não sentia muito minhas pernas que estavam
anestesiadas por causa da epidural. Quando eu empurrava não conseguia sentir o
quanto forte eu estava empurrando.
Tentamos
tudo de novo na nova posição e disseram que eu estava empurrando melhor, apesar
de não ser ainda suficiente.
Eu já
estava quase duas horas no processo de empurrar. Eram quase 3.30 da manha
quando s dores das contrações começaram a voltar. Quando contei a elas a
enfermeira supervisora disse, ‘ você quer tomar mais uma dose da epidural ou
quer aproveitar a dor para ficar com mais raiva e empurrar seu filho? Eu
escolhi ficar com a dor porque aquela dor nem se comparava com as dores das
contrações que eu tinha tido naquele dia ate eu ter a epidural. E alem disso,
eu queria muito ver a cara do meu filho.
Começamos
tudo de novo.
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