segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Minha experiencia do parto - parte 2







 Como estava dizendo, eu sempre dormia um pouco enquanto estava ouvindo o coração do Leonardo por 20 a 30 minutos. Eu não precisava controlar, uma maquina que fazia. Eu podia ler um livro, escutar musica ou falar ao telefone, como muitas mulheres faziam. Mas eu gostava mais de ficar ouvindo o coração do Leonardo bater, fazer daimoku (oração budista) ao mesmo tempo e às vezes quando eu não tinha dormido bem na noite anterior, dormia um pouco. Uma vez, a enfermeira deixou-me dormindo, mesmo depois do exame já ter terminado, pois ficou com pena de me acordar.

Este acompanhamento era necessário comigo por causa da diabete e também porque a diabete afetou um pouco o meu fígado. Ou seja, de um jeito ou de outro, eu teria um parto induzido.

O que seria um parto induzido? Um parto induzido, como o próprio nome diz, seria um parto onde as enfermeiras e médicos precederiam de uma forma que iriam antecipar, forçar as contrações que uma mulher grávida teria normalmente ate o dia de ter o baby. Uma gravidez normal, a mulher teria as contrações, a bolsa arrebentada no tempo natural do organismo dela e do baby. Isto poderia acontecer gradativamente dia após dia e sendo natural, não maltrataria tanto a mulher. No caso de indução, o processo acontece de uma hora para outra, de um dia para outro um atrás do outro e as dores são maiores do que se viessem naturalmente.

Confesso que não gostei muito de saber que seria induzida. Cheguei a pensar que seria melhor então que fizessem a cesariana, mas aqui na Inglaterra, Cesariana e só no ultimo caso, se realmente for necessário. Eles tentam ao maximo fazer com que o parto, induzido ou natural, termine em um parto normal.  

No dia que a medica veio me contar que eu teria um parto induzido eu não consegui controlar minhas emoções e chorei na frente delas. Disse que não queria aquilo porque se eu não conseguisse empurrar o baby e sair natural, que elas as médicas tentariam tirar o meu baby com aparelhos e eu não gostava da idéia de saber que meu baby poderia ser puxado com um aparelho que mais parecia um desentupidor de pia fazendo pressão na cabeça dele para ser puxado ou um aparelho de ferro caso o primeiro não funcionasse. Não conseguia imaginar um parto bom e seguro naquelas condições.

As medicas e enfermeiras tentaram me acalmar e explicaram todo o processo da indução e também reafirmaram que era perigoso para o baby e para eu continuar a gravidez ate as 40 semanas ( 9 meses) ou ate as 42 semanas ( 9 meses e duas semanas) caso o baby não saísse no tempo certo. O risco de o baby crescer de mais e ter problemas mais sérios por causa do açúcar, era muito provável e eles não queriam arriscar a minha vida e nem a do baby.

Fui para casa ainda com os olhos cheio de lagrimas e liguei para o Jolly para explicar tudo. Logo depois decidi fazer daimoku para que eu tivesse o parto mais seguro, tranqüilo para mim e o Leonardo. Que fosse como uma obra de arte. Que nem eu e nem o Leonardo sofreríamos com o parto.
Eu na verdade não tinha noção nenhuma de como seria tudo. Nem de como seria as dores das contrações, apesar de varias amigas e outras grávidas no curso de pré- natal terem compartilhado experiências de outras pessoas. Não conseguia imaginar ou sentir como seria. No fundo isto foi um ponto positivo para mim, não foquei nos pontos negativos que colocavam sobre as dores, contrações etc... Apenas pensava que tinha que orar para ser capaz de fazer tudo e ajudar o Leonardo a vir neste mundo de forma segura.

Em uma das consultas com as medicas, me foi passado à data do dia 18 para eu me apresentar no hospital para iniciar a indução. Nós podíamos escolher o dia 16 que seria o aniversario do Jolly, mas ele preferiu que Leonardo tivesse outra data para que no futuro ele não se sentisse culpado quando quisesse passar o aniversario dele com namorada, viajando ou com amigos.

Duas semanas antes do dia 18, marquei na minha casa daimoku tosso, de uma a hora e meia a duas horas, e convidei os membros da minha comunidade ( Grupo em Portugal) e alguns amigos de outras organizações para recitar comigo. Todos os dias viam alguém. Às vezes a sala estava cheia e às vezes via uma pessoa, mas todos vieram me apoiar. Na minha oração, eu orava não somente para o parto e para meus objetivos pessoais como também para o kosen rufu de UK e mundo, para a vitória, saúde, prosperidade e longevidade dos membros, para meu juramento ao mestre e para cumprir minha missão como discípula e boddhisatva da terra.

Chegou então o grande dia! Dia 18 de Janeiro de 2013. Saímos de casa as 11:15 e o caro estava nos esperando na frente prédio que moramos. Jolly estava carregando todas as malas, uma com as roupas do Leonardo, uma com as minhas, a mochila com as coisas dele e o car seat ( Uma cadeira que e obrigatória quando anda de carro com criança de 0 a 8 anos eu acho). Estava nevando e Jolly teve que por as malas no carro primeiro e depois voltar para me ajudar a descer as escadas de cinco degraus do prédio.

Sentia meu coração batendo acelerado e estava nervosa. Como seria tudo? Apenas me perguntava constantemente. Estava muito feliz e me sentia mais tranqüila quando olhava para o Jolly e via o quanto ele estava presente comigo em toda a gravidez e naquele momento. Todas as vezes que olhava para ele pensava o quanto tinha tido boa sorte através da pratica e da luta pelo kosen rufu de ter encontrado uma pessoa maravilhosa como ele para ser meu companheiro e pai do meu filho.

A caminho do hospital fui olhando pela janela as casas cobertas no telhado de neve e achei engraçado Leonardo vir ao mundo em um país onde o frio e predominante. Uma carioca casada com um italiano de Turim, cidade que fica no norte da Itália e que tinha montanhas cobertas de neve no inverno, e que estava nascendo na Inglaterra. Que missão teria este menino? Pensei...

Chegamos ao hospital uns quinze minutos antes de meio dia, horário marcado para eu me apresentar. A midwife ( enfermeira de grávidas) nos levou para um quarto particular ate o quarto que seria para mim fosse desocupado. Nossa boa sorte tinha começado naquele momento porque ate desocupar o quarto que eu ficaria, que seria junto com outras mulheres, nos ficamos em um quarto privado que seria pago toda a tarde ate sermos trocado.
Fomos almoçar na cantina do hospital e quando voltamos a midwife ( enfermeira) veio me dar uma meia especial para vestir que protegeria minhas pernas e me examinou para saber com quanto dilatada eu estava. Eu precisava ter 10 de dilatação para que o Leonardo nascesse de parto normal. Eu estava com 4 de dilatação e depois de ser posto o gel composto de hormônios, elas verificariam novamente quanto eu teria dilatado.

Não senti nada quando ela colocou o gel apenas senti algo gelado dentro de mim. O gel trabalharia por 6 horas. Se naquelas seis horas meu organismo não reagisse bem e não dilatasse nada e nem começasse as contrações iniciais, seria posto mais uma dose de gel seis horas depois e mais uma seis horas depois da segunda. Com o gel seriam três tentativas. Felizmente o primeiro gel foi suficiente para mim porque meu organismo reagiu bem e começaram as contrações. No final do dia fomos transferidos para o local que tinham mais cinco quartos com outras mulheres que seriam induzidas também.

O quarto era dividido com cortinas amarelo claro e tinha uma cama, alguns aparelhos médicos e uma cadeira acolchoada para o Jolly. Minhas contrações começaram bem fraquinhas e pareciam cólicas menstruais. Elas viam e iam embora de tempo a tempo. Como gel tinha funcionado bem comigo, as contrações aumentariam daquele ponto ate o dia de ter o Leonardo, que poderia ser qualquer dia, qualquer hora.

   

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