Chegamos à
sala da medica e ela nos recebeu com um largo sorriso e brincando com Leonardo.
Ela examinou o ouvido, os olhos, a boca, nariz, garganta, coluna, as pernas,
braços, cabeça, ouviu o coração e pulmão e testou a reação dele o deixando cair
dos braços dela. Por ultimo perguntou se eu gostaria que Leonardo tomasse a
vacina TB/ BCG.
Eu já
estava mesmo com a idéia na cabeça de pedir porque aqui na Inglaterra eles não
dão essas vacinas nas crianças. Normalmente são os pais de paises como o Brasil
e outros da América latina que pedem. Ele não tomou na hora, mas no dia que
deixamos o hospital.
Enquanto
ela o examinava eu estava apreensiva com receio de que ele tivesse alguma coisa
não normal ainda mais porque ele chorava muito enquanto ela o examinava. Para
pará-lo de chorar, a doutora colocava a mão na boca dele para que ele pensasse
que era hora de comer e chupasse. Desta forma o choro cessava e ela continuava
sua busca por nada de errado.
Ele olhava
para mim com um olhar molhado e desesperador como se estivesse esperando que eu
o salvasse daquela situação. Contudo como mãe, eu sabia mais do que ninguém que
eu não precisava o salvar, ele estava na mão da pessoa que mais podia o ajudar
e protege-lo naquele momento. Ela saberia o que fazer caso encontrasse alguma
coisa errada com ele o com a saúde dele.
No final de
tudo ela disse a palavra mágica que eu imagino que todas as mães gostariam de
receber “seu filhos esta perfeito, nada errado com ele”. Abri um sorriso
nervosamente que com certeza ela percebeu o quanto eu estava agoniada com
aquela situação de ver meu filho ser examinado e chorando ao mesmo tempo e mais
do que tudo ouvir aquelas palavras.
Voltamos para
o nosso quarto e eu estava tranqüila e relaxada. Queria o mais rápido possível contar
para Jolly. Ele tinha ido a casa para tomar banho e ver como estavam às coisas.
Os procedimentos
para controlar o nível de açúcar no sangue do Leonardo continuaram e nos fomos
recebendo no quarto todos os profissionais responsáveis de todos os exames e também
recebemos uma responsável do brestfeeding ( amamentação do peito) para saber se
eu estava tendo algum problema e amamentar o Leonardo.
Achei muito
carinhoso toda a ajuda que tive no hospital durante dois dias depois de ter o
Leonardo. Estavam mesmo preocupados em nos apoiar ao maximo para quando
fossemos embora estivéssemos preparados para cuidar no nosso filho sozinhos.
No segundo
dia recebemos a maravilhosa noticia que podíamos ir para a casa. Isto foi em uma
terҫa – feira. Logo depois do almoço arrumamos nossas coisas, ligamos para o táxi
e escrevemos um cartão de agradecimento que Jolly tinha ido comprar em uma loja
que ficava ao lado do hospital. O cartão tinha um cãozinho que dizia “ Just to
say good bye” Escrevemos nossos sentimentos de agradecimento a toda proteção, atenção
e carinho que tivemos naqueles 4 dias.
Jolly e eu
arrumamos o Leonardo e todas as roupas que levamos estavam grandes nele, uma
vez que ele nasceu menor do que o esperado. E para piorar nosso nervosismo de
irmos para casa e começarmos tudo por nos mesmos, Leonardo abriu o berreiro
quando começamos a vesti-lo.
Não tínhamos
muito tempo para entregar o cartão à equipe que estava de plantão e antes do
carro chegar. Por alguns instantes ficamos sem saber o que fazer, se insistia em
vesti-lo ou se tirava tudo e esperava ele se acalmar.
Ali estava
diante de nos nosso primeiro desafio. Comecei a fazer daimoku mentalmente e de
repente Jolly conseguiu acalma-lo, vestiu-o e colocamo-o no car seat ( cadeira
de carro). Saímos do quarto o mais rápido que pudemos, entregamos o cartao e
dissemos “THANK YOU VERY MUCH FOR EVERYTHING” e fomos à direção do elevador. Neste
momento Leonardo já estava dormindo. E eu e Jolly soltamos um suspiro misturado
com um largo sorriso. ESTAVAMOS INDO PARA CASA!!!!
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