domingo, 24 de março de 2013

Minha experiencia no parto- parte 6










Leonardo nasceu as 03h55min da manha do dia 20 de janeiro de 2013 com 49 cm e 2.40 kilos. Aquele foi o dia mais feliz de nossas vidas!

Misticamente Leonardo nasceu no mesmo dia e hora que seu primo Gianni, sobrinho do Jolly que vive em Turin na Itália. Mas Gianni esta com 16 anos agora. Alem disso em comum, Jolly acha que os olhos azuis cinzentos do Leonardo e igual ao do Gianni. 

Agora estávamos Jolly e eu em um quarto do hospital com o nosso lindo baby esperando para sermos liberados e irmos para casa. Tudo que tinha acontecido desde sexta-feira a partir de uma da tarde ate aquele momento, jamais serão esquecidos.

O quarto que ficamos situava-se em um departamento com várias grandes salas e em cada uma tinham seis pequenos quartos onde ficavam os pais com seus recém nascidos.  Os quartos eram separados por uma cortina amarela clara e dentro de cada um tinha uma cama, uma cadeira ao lado da cama para o acompanhante, uma televisão, uma mesa pequena com rodas para que pudesse puxá-la e comer sentada na cama e um aparelho onde ficava uma campainha para chamar as enfermeiras em caso de emergência ou alguma solicitação.

Jolly e eu estávamos tão cansados que logo depois que terminamos de arrumar nossas coisas fomos logo dormir um pouco. Colocamos nossos pertences do lado esquerdo do quarto e o berço com o Leonardo do lado direito perto da cadeira onde o Jolly estaria.

Quando um baby começava a chorar os outros os acompanhavam, menos o Leonardo. Ele chorava apenas quando as enfermeiras tiravam sangue do pezinho ou quando estava com fome. Eu ainda não tinha aprendido os sinais da fome na pratica. Um deles era quando o Leonardo abrisse e fechasse a boca varias vezes.

Nosso sono foi interrompido mais ou menos uma hora mais tarde quando uma enfermeira entrou no quarto para tirar sangue do Leonardo para verificar o nível de açúcar no sangue dele. Como eu tinha me tornado diabética na gravidez, eu tive que fazer uma dieta controlada pela equipe de diabetes para que o excesso de açúcar no sangue não prejudicasse minha gravidez e o baby.

Uma das preocupações dos médicos era que o baby normalmente nasce muito grande alem do normal quando a mãe e diabética. Mas comigo acabou acontecendo o contrario. Apesar de estar diabética meu filho nasceu menor do que o normal. Por causa disso precisávamos ficar no hospital por mais dois dias para elevar o nível de açúcar no sangue do Leonardo.

Também tiraram meu sangue, pegaram um pedaço da minha placenta e outros exames para servirem de estudo para que possam entender melhor porque que isso aconteceu. Em minha opinião foi bastante boa sorte Leonardo não ter vindo grande, pois assim pude ter parto normal.

 Ela furou o pezinho dele e ele chorou. Segunda vez que estava ouvindo o choro do meu filho, mas desta o choro era de dor e não de susto como foi quando ele saiu da minha barriga. Ficamos com pena dele, mas sabíamos que era necessário.

Não somente o exame de sangue foi feito muitos outros exames como dos olhos, ouvido, pele etc... Um check up geral para saber se estava tudo bem com ele. Nosso quarto estava sempre com a presença de alguma enfermeira e dormir por muito tempo era quase impossível.  

Depois do café da manha, Leonardo acordou e eu sabia que era hora dele comer. Alem do meu peito, eu tinha que dar um complemento de leite em uma mamadeira porque ele precisava se alimentar muito bem naquele momento porque o exame de sangue resultou que ele estava com pouco açúcar no sangue. Estava 2.4 e ele precisava passar de 3.5.

Ele pegava mais fácil a mamadeira do que o peito, que exigia dele fazer mais esforço para puxar o leite.

Em uma das minhas tentativas de amamentar o Leonardo eu não conseguia encaixar corretamente a boca dele nos meus seios. Deveria ser de uma forma que ele pegasse uma parte escura do seio também. Caso não fosse daquela forma, meus seios ficariam magoados e ele não conseguiria puxar o leite corretamente.

Eu estava sozinha naquele momento porque Jolly tinha ido a casa verificar se estava tudo bem e tomar banho, que não era permitido para ele no hospital.

Leonardo começou a chorar muito e ficou muito vermelho. Fiquei desesperada e chamei uma enfermeira apertando o aparelho de emergência.

Quando a enfermeira chegou ao quarto, antes mesmo de explicar o que estava acontecendo, cai no choro. Não conseguia parar de chorar e repetia em lagrimas que ele estava com fome e que eu não conseguia amamentá-lo.

Ela calmamente como se já estivesse acostumada com aquele tipo de situação pegou o Leonardo posicionou-o em meus seios nos lábios dele e ele rapidamente começou a mamar. Fiquei tão emocionada de ver meu filho mamando que ao invés de parar de chorar, chorei mais ainda.

A enfermeira sentou do meu lado e disse que era para eu não me preocupar porque tanto Leonardo quanto eu estávamos aprendendo a dar de mamar e a mamar. Carinhosamente ela disse que era muito normal que as mães se sentissem incapazes e tristes quando não conseguiam dar de mamar aos seus babies, mas que era para eu tivesse paciência e não desistisse do breastfeeding ( leite de peito) que era o melhor para o meu baby

 Fiquei muito mais tranqüila depois que ela me explicou varias vezes como posicionar o Leonardo nos meus seios e ver meu baby dormindo de barriga cheia. Quando ele acordou mais tarde para mamar de novo eu consegui posiciona-lo com mais facilidade e sem a ajuda dela.

Cada vez que eu amamentava meu filho eu me sentia mais feliz.

Também me foi explicado da importância de fazer skin to skin ( pele com pele/ corpo com corpo) com o meu baby. Elas insistiam que eu fizesse sempre pelo menos uma vez por dia. Eu tirava a camisa e o sutiã e a roupinha do Leonardo deixando apenas a frauda e mantinha o corpo dele colado ao meu. Este contato com o baby fazia com que ele se sentisse protegido, com a temperatura ideal, sentia o cheiro da mãe e do pai ( que também deve fazer), ajudar na circulação do sangue,  ouvir o batido do coração da mãe e muitas outras vantagens. Alem de protegê-lo de algumas doenças.

Quando Jolly voltou, trouxe-me um pote de doce que eu ficava namorando quando eu ia ao hospital fazer meus exames. A loja Italiana ficava em frente ao ponto de ônibus e era tão chamativo que era impossível não olhar e sentir salivar a boca. Na época eu não podia comer por causa da diabete. Uma vez que Leonardo já tinha nascido, a diabete adquirida na gravidez tinha ido embora.

Durante os dois dias que ficamos neste departamento nos tivemos todo o atendimento possível e Leonardo fez todos os exames necessários. O dia mais engraçado foi quando fomos visitar a medica para fazer o ultimo check up nele. Uma enfermeira de mais ou menos uns 60 anos embrulhou o Leonardo na manta dele azul de forma que os braços ficavam por dentro e ele não pudesse se mexer. A cara que Leonardo fez quando ele o embrulhou daquele jeito foi muito engraçado. Era como se ele estivesse reclamando e fazia cara feia com gestos e expressões.

A caminho da sala da medica eu senti um sentimento nunca antes sentido que era de proteção. Queria muito proteger meu filho de qualquer sofrimento e dor. E naquele momento seria nossa primeira visita juntos ao medico para saber se estava tudo bem com meu pequeno príncipe.











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