sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Pelo nossos filhos

Pelos nossos filhos

Quando Leonardo ainda estava na minha barriga, fui convidada para minha primeira reunião do departamento das senhoras da Soka Gakkai em Taplow Court, Londres. 

A intenção  das minhas  responsáveis eram para que eu já fosse acostumando com a ideia da mudança de departamento. O que elas não imaginavam, nem eu, é que aquela reunião mudaria minha vida para sempre. Uma nova decisão surgiria... 

Sentei no fundo da sala principal, pois ainda me sentia estranha de estar no meio de tantas mulheres bonitas e maduras. E uma delas subiu ao palco para dar seu relato de experiência. 

Era sobre seu filho que estava apenas com 14 anos quando começou a ser drogar. Apesar dela ser de terceira geração de praticante e o marido responsável geral de Londres, o filho, que era fukushi, não despertou para a pratica. Senti na voz dela que ela e o marido se perguntavam constantemente porque. Porque o filho não praticava...

A situação do filho foi piorando a cada dia e ele passou a ficar dias fora de casa, parar nas delegacias e ser preso e chegar em casa quase inconsciente de tantas drogas. 

Ela ficava sempre acordada esperando ele chegar e quando não chegava virava a noite sem dormi. O pior dia da vida dela foi quando ele chegou em casa tão mal, praticamente inconsistente com os olhos vermelhos, que  ela sentiu que estava perdendo o filho. 

Todos os sonhos que ela tinha para ele ; como ser bom aluno, fazer faculdade etc... Estavam sendo destruídos completamente. Ela se sentiu sem esperança, estava fraca, desanimou de ir as reuniões e estava completamente desesperada e infeliz. 

Uma vez, por  insistência do marido, que como responsável geral tinha que estar na reunião, ela foi a reunião com e mesmo sem vontade. E lá, foi passado um vídeo do Sensei onde ele bateu a mão na mesa e disse que precisava ter paciência para a vitoria. Aquelas palavras do Sensei tocou ela profundamente. 

E ela também teve um dialogo com um(a) responsável que a orientou parar de orar para os sonhos que ela tinha para o filho e orar para: 
- manifestar o máximo potencial dele ( Buda) 
- para ele ter um mestre na vida ( Sensei) 
- para ele ser absolutamente feliz 
- ser valor para o Kosen Rufu e sociedade

Ela então decidiu orar apenas para esses quatro critérios e ter paciência como Sensei havia dito. Não foi fácil apenas orar pensando nos quatro pontos, e sem falar mais nenhuma palavra com o filho sobre as drogas e ter paciência. Mas assim ela fez. 

Que coragem!!!! 

Um belo dia, ela e o marido estavam orando e o filho chegou em casa. Ele estava em umas condições péssima que eles nunca tinham presenciado antes. E de repente ele diz:" Mãe, pai, preciso de ajuda. Estou morrendo." 
A partir daquele momento ele começou a praticar junto com eles e todo tratamento necessário junto com a oração foi feito para ele sair das drogas. 

Tempos depois ele foi estudar na Universidade Soka do Japão e já e doutorado em Educação e trabalha em Londres. E esta aturando como responsável geral dos estudantes universitários da Inglaterra. 

Depois desse relato dela, eu comecei a orar com esses pontos para meu filho que ainda nem tinha nascido, pois senti que seria a única forma que eu poderia o proteger e ajudar em sua jornada nesta existência. 

Quando Leonardo nasceu, muitas dificuldades surgiram para eu manter a pratica diária de gongyo e Daimoku; sono, cansaço, horários trocados, adaptação a nova vida e etc... E todas as vezes eu lembrava daquela mãe desesperada e do seu precioso filho que quase perdeu a vida e eu me esforçava um pouco mais para vencer na minha pratica da fé diária pelo meu filho! 

Ainda continuo me desafiando... Daimoku e gongyo deitada dando mamar, andando atrás dele, montando algum brinquedo quando me pede, em pé, trocando frauda e muitas outras situações. Mas o mais importante como diz Nitiren Daishonin, é o meu coração. E posso afirmar que por mais que minha oração não seja sempre perfeita sentada em uma cadeira ou ajoelhada, estou me desafiando a cada dia para não falhar porque sei claramente que essa e única maneira que consigo completamente ajudar meu filho a cumprir dignamente sua missão nessa vida. 






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Um comentário:

  1. Parabéns pelo lindo relato, faço parte de um grupo de incentivos e lá compartilharam o seu relato, meu nome é Gláucia Barboza, sou DF, tenho 29 anos e sou fukushi. Os incentivos desse relato tem me ajudado a direcionar o Daimoku para meu sobrinho Arthur que tem 3 meses e está há 3 meses internado, oro para que ele evidencie sem falta esse grande estado de Buda que ele possui, e cumpria a sua missão como bodisatva transformando a sua doença e transmitindo coragem e esperança para as pessoa que estejam enfrentando a mesma doença. Uma DF da minha localidade que está passando por dificuldades também com seu filho que também é dependente químico se sentiu muito inspirada também com o relato, obrigada por ter compartilhado, bjs

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