quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mimha experiencia do parto- parte 3



Eram seis quartos na sala onde eu estava. Três de um lado e três do outro. Alem de mim, tinha uma mulher no primeiro quarto do lado direito, uma do meu lado que chorava e gritava muito e pedia Cesariana e uma no quarto de frente do meu que gemia e vomitava muito quando as contrações dela vinham.

Tentei me concentrar nas minhas contrações e na respiração longa que tinha que fazer cada vez que as contrações vinham para não ficar assustada com a situação das duas mulheres que pareciam que estavam sofrendo muito. A mulher que estava no primeiro quarto não gritava e nem chorava e parecia que estava fazendo exercícios de yoga. Ela estava sempre encima da cama fazendo alguma coisa quando eu ia ao banheiro, por isso deduzi que poderia ser exercícios de yoga. Decidi ter ela como exemplo de controle, principalmente quando as piores contrações chegassem. Manter a calma e controle era um meio de receber as contrações e passar por elas com sucesso. Era o que tinha aprendido nas aulas de pré – natal.

Passei toda a noite de sexta agarrada à mão de Jolly sentindo as contrações que vinham de tempo em tempo. Cada vez que ela vinha, eu inspirava o ar e expirava-o longamente. Mesmo quando eu estava dormindo eu acordava, apertava a mão do Jolly e respirava longamente para controlar a dor.

No dia seguinte os procedimentos para acompanhar a mim e ao Leonardo continuaram. E no final do dia fui comunicada que minha dilatação estava indo muito bem e que no domingo pela manha, dia seguinte, seria transferida para a sala do parto.

Apesar da noticia boa que eu estaria tendo o Leonardo já no domingo, senti um frio na barriga. Passei todo o sábado sentindo e controlando as contrações e pensando como seria no dia seguinte.

Eu e Jolly fizemos gongyo e daimoku baixinho no quarto todos os dias. E Jolly foi maravilhoso comigo me apoiando em tudo. Como não consigo engolir comprimido, ele pediu a enfermeira duas colheres para esmagar os comprimidos para eu tomar. Eu me senti muito protegida tendo ele do meu lado. Também quando eu precisava ir ao banheiro ele ia comigo para ser um apoio quando minhas contrações viam no mesmo momento que estava fazendo minhas necessidades. Rimos juntos desses momentos de privacidades que nunca compartilhamos como estar junto no banheiro fazendo as necessidades.

A noite de sábado foi mais intensa que sexta porque as contrações estavam vindo com intervalos de tempo menores e gradativamente estavam ficando mais fortes.

No domingo de manha fomos informados que mudaríamos para o quarto do parto somente na parte da tarde ao invés de pela manha. O motivo e que o quarto ainda estava ocupado. Pensei na pessoa que estava no quarto e desejei que tudo estivesse correndo bem com a pessoa que estivesse tendo o baby.

A manha de domingo não passava nunca e cada minuto eu pensava que em breve Leonardo estaria com agente. Como seria o rostinho do Leonardo? Jolly e eu nos perguntávamos sempre. Será que eu conseguiria empurrar o Leonardo? Eu me perguntava constantemente.

Assim que nosso almoço chegou por volta da uma, as novas enfermeiras (midwife) da sala do parto veio nos comunicar que já podíamos ir para o quarto que eu teria o Leonardo. Como estávamos almoçando, elas voltariam em 15 minutos para nos ajudar com as malas.

Engoli a comida com muita dificuldade. Sentia-me nervosa, ansiosa e ate um pouco com medo. No meu coração eu só pensava que meu filho estava prestes a vir ao mundo.

Elas voltaram no tempo determinado e fomos caminhando pelo corredor principal e passamos pela porta do departamento de partos. Eu ouvia muitas mulheres chorando e gritando. Fiquei preocupada mas dentro de mim havia uma certeza de que meu parto seria exatamente como eu havia determinado, sem sofrimento e especial.

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