Começamos
tudo novamente. As duas enfermeiras em pé cada uma de um lado com minhas pernas
nelas e ficávamos esperando as contrações para que eu prendesse a respiração e
começasse a empurrar (push) o Leonardo.
A dor realmente
me ajudava a sentir mais desejo de fazer Leonardo sair e acabar logo com aquele
momento dele vir e entrar novamente.
Depois de
umas seis tentativas eu já estava sentindo que Leonardo estava saindo. A cabeça
dele saia muito mais do que antes.
Em um
momento eu comecei a me sentir muito cansada novamente e pensei que se eu não
tirasse o Leonardo logo, as enfermeiras chamariam os médicos para ajudar a
tirá-lo com os aparelhos que eu não queria. Então aquele era o momento.
Lembrei
mais uma vez das palavras de uma amiga brasileira que mora aqui em Londres que
teve o filho dela, o Cosimo, meses antes que me disse que o Gosho que a ajudou no
momento do parto e da dor foi o gosho “
Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado.
Considere tanto o sofrimento ( parto) como a alegria ( de ver meu baby) como
fatos da vida...”
Pensei no
Gosho, no meu mestre Daisaku Ikeda, no Gohozon que é minha própria vida,
recitei daimoku ( Nam-myoho-rengue-kyo) uma vez e decidi: “ Vai ser agora!
Lembrei
também da enfermeira dizendo que a primeira puxada e a segunda eram mais
importantes do que a terceira. Antes estava dando mais importância a terceira
achando que seria a que Leonardo sairia.
Quando
senti a contração chegando eu gritei: “It’s coming!” ( esta vindo). Prendi a
respiração com toda determinação, empurrei com toda a forca que ainda tinha e
que não tinha e senti a cabeça do Leonardo saindo mais e mais. Forcei mais e em
minha mente eu falava comigo mesmo: “Não desista. Não desista. Falta pouco!”
De repente
senti a cabeça do Leonardo escorregar e passar completamente. Eu sabia que ele
tinha saído. Eu sabia que tinha acabado e que eu tinha conseguido.
As
enfermeiras me mandaram parar de empurrar assim que a cabeça do Leonardo saiu. Eu já sabia que quando elas me mandassem parar de empurrar era para parar a respiração longa e começar a curta como de cachorrinho. Assim eu fiz.
Fiquei
tensa, pois não ouvia o choro do Leonardo. Elas então pediram para eu empurrar
novamente quando viesse a próxima contração para sair o corpo do Leonardo
totalmente.
Eu não
sabia se aquele momento era normal procedimento ou se estava acontecendo alguma
coisa. Eu não perguntei nada e fiquei fazendo daimoku mentalmente para que a
contração viesse logo e eu pudesse ver meu filho.
Quando eu
senti que a contração estava vindo eu falei para elas e então prendi a
respiração mais uma vez e pela ultima vez, e Leonardo saiu completamente. Uma
das enfermeiras pediu Giose para cortar o cordão umbilical e pegou Leonardo no colo
para limpa-lo.
Logo em
seguida que as enfermeiras começaram a limparem ele, eu ouvi o choro do meu
filho. Nunca tinha ouvido um som tão bonito em toda minha vida! Aquele som do
primeiro choro do meu filho foi como uma musica em meus ouvidos e me emocionei.
Então, ela
veio e colocou meu filho encima do meu peito e ele olhou para mim com os olhos
bem abertos apesar de saber que os babies não enxergam muito quando nascem. Ele
estava olhando para mim. Fiquei muito emocionada e olhei para o Jolly que
também estava emocionado e sorrindo. Finalmente nos estávamos vendo o rostinho
do nosso filho.
Leonardo
ficou comigo por um tempo ate as enfermeiras terminarem os procedimentos
comigo. O primeiro foi tirar a placenta. Ela me deu uma injeção debaixo da
perna direita e depois colocou uma de suas mãos no meu útero e começou a fazer
movimentos como se estivesse procurando alguma coisa. Eu não sentia nenhuma dor
porque ainda estava com um pouco do efeito da epidural. Não demorou muito para
eu sentir uma coisa grande sair de dentro de mim. Se eu não soubesse que era a
placenta poderia pensar que era mais um baby. Depois elas continuaram
procurando alguma coisa dentro de mim para terem certeza de que não ficou
nenhum resto de placenta.
No momento
do parto eu perdi 400ml de sangue. Depois que elas limparam um pouco o Leonardo
e colocou encima de mim, elas levantaram minhas pernas, como faz no
ginecologista, e disseram que iriam me dar alguns pontos. Também não senti dor
apenas um desconforto. Enquanto elas trabalhavam em mim, eu fiquei todo o tempo
com meu filho. Tempo mais tarde, elas voltaram e pegarem ele para limpá-lo mais
e por roupas. Também pegaram o primeiro liquido que meus seios produziram com
uma seringa para alimentar o Leonardo. Felizmente elas disseram que eu tinha
bastante liquido. Giose ajudou-as
alimentar o Leonardo colocando um dos seus dedos na boca dele para que ele
puxasse e soubesse o que era puxar pela primeira vez. Imagino o quanto deve ter
sido emocionante para ele.
Enquanto
eles amamentavam o Leonardo e o vestiam melhor com as roupinhas que tínhamos
separado para ele, uma enfermeira me acompanhou ate o banheiro para tomar
banho.
Quando se
toma a epidural, as pernas ficam totalmente sem forca e a pessoa não as sente.
Mesmo depois que o efeito do remédio passa, muitas mulheres tem dificuldade
para sentir as pernas e se levantar. No meu caso foi melhor. O efeito da
epidural passou e minhas pernas voltaram ao normal. Apenas estava me sentindo
fraca quando levantei da cama.
Para minha
boa sorte tudo estava ocorrendo muito bem comigo desde o dia que cheguei ao
hospital. Primeira aplicação do gel para estimular as contrações deu certo e
não precisei das duas dosagens amais. Primeira aplicação do hormônio através da
injeção meu organismo aceitou bem e as contrações continuaram e aumentaram como
tinha que ser. Consegui controlar as contrações de sexta dia dezoito ate
domingo vinte ate as sete da noite apenas com a respiração, O gás não deu certo
mais continuei com a respiração e as oito horas quando pedi a epidural na
primeira tentativa o anestesista conseguiu pegar no ponto necessário para
deixar a agulha. Logo meu corpo reagiu e em alguns minutos já não estava mais
sentindo minhas pernas e as contrações. A dor tinha passado completamente.
Tudo
aconteceu comigo de primeira e muito bem, muitas mulheres não tem a mesma boa
sorte e sofrem muito com as dores. Senti a proteção dos deuses budistas e de
todo o daimoku que fiz sozinha, com Jolly e com os companheiros da Gakkai na
minha casa para que meu parto fosse o mais seguro possível para meu filho e eu.
Quando
chegamos ao banheiro à enfermeira perguntou se eu queria que ela ficasse ou se
eu conseguiria tomar meu banho sozinho. Preferi ficar sozinha para que eu
tivesse um momento meu relaxado no chuveiro quentinho. Tinha uma corda do lado
da porta que era um alarme para chamá-la caso eu precisasse.
Nunca tinha
tomado um banho daquele na minha vida! Cada gota de água que cai na minha pele,
no meu rosto eu sentia uma satisfação, alivio e alegria inexplicável. Mas era
somente um banho! Mas era um banho depois de dois dias em trabalho de parto.
Quando eu passava a mão pela minha barriga eu sentia saudade da minha barriga
grande e lembrei de todos os momentos que tive na gravidez.
Voltei para
o quarto e soube que iríamos ser transferidos para outra seção do andar onde
estariam outras mulheres que tinham tido seus babies.
Cada vez
que mudávamos de seção, as enfermeiras daquele departamento vinham se
apresentar e nos ajudar a transportar nossas coisas que ema a minha mala, mala
do Leonardo, car seat ( carro de mão para transpostar o baby nos carros e
aviao) e a mala do Jolly. Como agora tinhamos também o Leonardo, a enfermeira
veio com um berço do hospital com rodas para transportá-lo em segurança.
Enquanto
caminhávamos pelo corredor as pessoas que me acompanharam no parto desde
domingo à tarde falavam comigo e nos davam os parabéns.
Chegamos no
quarto que ficaríamos ate segunda ordem e arrumamos nossas coisas em um canto
do quarto e Leonardo ficou no berço no lado oposto das nossa coisas para que
tivéssemos espaço para cuidar dele.
A
enfermeira responsável do plantão daquele dia de madrugada veio falar com
agente e explicou o que iria acontecer a partir daquele momento e que as oito
horas chegariam os enfermeiros do plantão do dia e que tudo seria passado para
a enfermeira responsável do plantão que iria começar.
Achamos que
depois do parto iríamos logo para casa, mas descobrimos que ainda tínhamos que
ficar no hospital por 72 horas. Um dos motivos era que o Leonardo estava com
pouco açúcar no sangue. Eu e Jolly não imaginávamos que nossa experiência para
cuidar do Leonardo começaria ali mesmo no hospital e não em casa como estávamos
pensando.
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