quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Meus sete dias em Italia parte 2
Levantamos rapidamente ainda sem acreditar, mudamos de roupa, escovamos os dentes e fomos para o hospital com o pai dele.
Todos em silencio no carro...
Eu estava fazendo daimoku mentalmente e sabia que o Jolly estava fazendo tambem. Eu tinha certeza!
Chegamos no hospital e a irma e tia do Jolly estavam la. Doriana, a irma do Jolly, estava com ela quando ela faleceu pois tinha ido passar a noite no hospital. Muitas pessoas da familia revezavam durante o dia e a noite para ficar com ela no hospital.
Elas estavam chorando...
Fomos ao quarto ve-la e fizemos daimoku sansho ( nam-myoho-rengue-kyo tres vezes). Ela estava bonita. Continuava parecendo que estava dormindo.
Orei profundamente para que ela voltasse o mais repido possivel e em uma casa com Gohonzon para que pudesse praticar, lutar pelo Kosen- rufu ( pela felicidade das pessoas) e mudasse seu carma de morrer de cancer tao nova.
Depois sai e fui sentar na sala de recepcao do local, pois no quarto so podia ficar duas pessoas porque era de madrugada e podia-mos acordar os outros pacientes que estavam nos outros quartos. Deixei o Jolly no quarto que estava a me. Ele nao queria sair de la. Ele ficou fazendo mais daimoku.
Na sala com a familia do Jolly tentei manter sempre o ar positivo para que transmitisse que a morte nao e o fim mas o inicio de uma nova vida, uma nova jornada. A tia do jolly disse que minha presenca a deixava tranquila pois sentia um ar positivi. Fiquei contente pois mesmo nao falando nada pois meu italiano e muito pobre para falar de um assunto tao dificil, ela conseguiu ler meus pensamentos e o que se passava no meu coracao.
Ficamos no hospital ate o corpo sair do quarto e ir para o local que a preparariam para o velorio.
Saimos todos juntos do hospital. Jolly, o pai dele e eu fomos direto para casa e a Doriana foi levar a tia em casa para depois ir para a casa do pai para escolher as roupas que usaria a Laurina.
Chegamos em casa e fomos comer qualquer coisa.
Logo depois a irma do Jolly chegou e foi ela e o Jolly escolher a roupa da mae. Momento estranho, dificil... imaginei que todos passarao um dia por isso pois todos tem mae, pai e que um dia meus filhos tambem terao que fazer isto. Me deu mais sentido de vida e de aproveitar cada minuto que temos para falar mais vezes com nossos pais e dizer o quanto os amamos. Mesmo que as vezes haja problema e as pessoas nao falem com seus pais, fico imaginando se estariamos aqui sem eles. So por este motivo, pensei o quanto os filhos devem ser gratos profundamente aos pais, independente se eles sao maravilhos, perfeitos ou nao. Sem eles ninguem estaria aqui. Como meu mestre diz : " UMA PESSOA QUE NAO CONSEGUE AMAR OS SEUS PAIS, NAO CONSEGUE AMAR A MAIS NINGUEM." E pura verdade!!!!
Quando Doriana saiu fomos deitar um pouquinho ate a hora de levar as roupas da mae do Jolly no local onde a trocarariam.
O local era uma casa com varias salas onde estariam fazendo o velorio dela por tres dias, ja que o crematorio seria somente na segunda. Como Jolly e sua familia tinham decidido pelo crematorio, tinha que esperar por 72 horas para ser cremado. O corpo estaria pronto para ser visto na parte da tarde.
Deixamos a roupa e fomos a empresa que fornece o servico de funeral para finalizar os preparativos para o velorio ecrematorio.
Fomos para casa almocar. Ainda estavamos sem acreditar que ela tinha partido. A presenca dela ainda era muito forte na casa, principalmente na cozinha, onde ela estava sempre nos preparando uma bela e deliciosa comida italiana com cara de familia reunida.
Jolly que cozinhou desta vez. O pai dele gostou da comida.
A tarde fomos ver a mae dele e ja estava bonita com as roupas e na sala com flores, luzes etc. Fizemos daimoku sempre que dava.
Saimos de la bem a tardinha.
nao me arrisquei a cozinhar.E muito dificil cozinhar para os Italianos. Eles tem um forma de cozinhar quase que perfeita. Uma simples pasta vira uma comida de restaurante. Jolly cozinhou novamente.
Jantamos ainda meio em silencio. As vezes Jolly perguntava ao pai se esta bem. O pai estava sempre dizendo coisas que pareciam que estava sofrendo.
Ficamos na sala vendo televisao com o pai dele para o distrair. Eles sempre faziam essas coisas juntos, comer, jogar baralho, ver televisao... ou seja estava sendo muito dificil para o pai do Jolly.
Tambem sabia que estava sendo dificil para o Jolly mas sabia que nossa pratica nos daria uma forca incrivel para continuar.
Fomos para o quarto umas 10 horas depois que o pai do Jolly deu boa noite para dornir, e fomos fazer o Gongyo e daimoku. Deitamos logo em seguida e ainda falamos um pouco sobre a Laurina, mae do Jolly. Caimos no sono.
Sabado comecou cedo para nos e fomos para o local do velorio novamente. Ao chegar, ja tinham muitos amigos e pessoas da familia. Foi momento de palavras como " Minhas consolencias, sinto muito, obrigado/a, sejam fortes, e uma pena" e outras mais. E tambem momentos de muitos abracos e falar das lembrancas.
Para mim foi um momento de conhecer mais pessoas da familia do Jolly e eles a a mim. Todos me diziam " AUGURI" que quer dizer parabens( congratulations ) em Italiano por causa do Leonardo. No meio daquela tristeza de todos, leonardo ja tinha a funcao ( missao) de trazer alegria.
Eu e Jolly tentamos ficar o maximo que podiamos na sala para fazer mais e mais daimoku. Faziamos baixinho mas deixavamos as pessoas ouvir e tamebm usamos os nossos juzos, que acaba despertando curiosidade de todos. As vezes as pessoas entravam e ficavam nos observando. Quando queriam falar
com agente, nos paravamos.
Foi um dia bem cansativo. Fomos para casa no final da tarde. Jantamos, oramos e dormimos cedo pois no Domindo iriamos para o local novamente.
Domingo fomos um pouco mais tarde para o local pois fomos a missa da de domingo na igreja local para a mae do Jolly. A familia do Jolly ficaram contente de nos ver na missa, uma vez que sabiam que eramos budistas. A missa foi cansativa para nos que nao estavamos acostumados, mas o padre foi bastante positivos em suas palavras e muitas delas se enciaxaram com a visao budista. Quem queria ficar para baixo e se culpando, mudava totalmente de ideia se ouvisse ele direitinho. Mas muitas pessoas preferiam ficar presas no pecado e na disgraca. Foi uma pena!
Fomos almocar em casa do pai do Jolly com mais tres primos do Jolly que tinham vindo do Norte. Foi muito divertido conhecer eles e pediram para nos visitarmos eles quando leonardo nascer. Comemos lazanha, carme e salada e tinha sido a tia do Jolly ,que mora no predio ao lado, que tinha cozinhado. Apesar de ela ser italiana tambem e ter cozinhado com muita boa vontade, sua comida nao chegava perto da comida da mae do Jolly. Mais um momento para lembrar da mama.
Depois ficamos em casa toda a tarde e pedi o Jolly para passearmos no parque atras da casa dele. Estava fazendo sol e fiquei sentada em um banquinho para aquecer e sentir o sol na cara. Conversamos e ele tirou algumas fotos.
quando voltamos dormimos um pouco a tarde.
A noite a irma do Jolly foi jantar na casa do pai deles junto com os filhos Sara e Gianni. Foi legal estarmos todos juntos, mas foi estranho sem a mama. Parecia sempre que ela chegaria a qualquer momento...
Dormimos tarde.
Depois conto o que aconteceu no domingo, na segunda dia do crematorio e os demais dias antes de voltar para LOndres.
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